sábado, 7 de julho de 2012

Escarola

Uma famosa desconhecida: apesar de a escarola ser velha amiga dos brasileiros, muito popular como cobertura de pizza e recheio de esfihas, é grande o números de pessoas que não sabe que a verdura é, na verdade, um tipo de chicória — que, com esse nome, parece não ser tão comum por aqui.

As folhas dos diversos tipos de chicória são utilizadas na culinária desde o tempo do Antigo Egito e na civilização greco-romana, os poderes medicinais da planta já eram valorizados.

Assim, tornou-se ingrediente de diversas formulações farmacológicas: tônicos, bebidas para combater a febre, xaropes vermífugos, purificantes do sangue...

Os índios Cherokees, da América do Norte, empregam a sua raiz para fazer um tônico do sistema nervoso. Algumas tradições atribuem às chicórias o poder de tratar de insuficiência hepática a herpes labial.

O que se sabe hoje é que as chicórias têm uma substância com efeito prebiótico, que estimula a produção de bactérias benéficas que vivem no trato intestinal e servem para, entre outras coisas, aumentar as defesas do organismo e melhorar o trabalho do intestino.

Por volta do século 13, tipos de chicória como a escarola começaram a se disseminar pelo continente europeu. No Brasil, há registros de cultivo do vegetal desde a chegada da família real portuguesa ao país, mas foram os imigrantes italianos os principais responsáveis pela sua popularização.

Nas compras

Variedades

O tipo de chicória que é conhecida como escarola no Brasil é a LISA. Lembra a alface, mas as folhas são mais duras e de um verde mais escuro.

No Brasil, os principais cultivares de escarola são a LISA IMPERIAL, LISA DA BATÁVIA e BRANCA DE CORAÇÃO CHEIO.

Como Escolher

Os maços devem estar bem formados, sem muitas folhas se soltando.

Descarte os exemplares com folhas murchas ou queimadas, com manchas ou marcas de inseto.

Quando as folhas estão mais claras, o gosto amargo típico da escarola é menor. Porém, as folhas de verde mais escuro costumam ser mais ricas em nutrientes.

Melhor Época do Ano

O pico de safra da escarola é entre julho e setembro, mas também há safra em janeiro. Nesses períodos, encontram-se os melhores exemplares, por menor preço.

Em casa

Como Conservar

Fora da geladeira, a escarola pode ser guardada em saco plástico aberto ou com a parte de baixo imersa em uma vasilha com água, em local fresco, por um dia.

Na geladeira, deve ficar na parte mais baixa, em saco plástico fechado ou vasilha com tampa. Dura entre três e quatro dias.

O ideal é guardar o maço inteiro e ir retirando as folhas conforme a necessidade. Se for desfolhada, lave bem, enxugue completamente e guarde as folhas separadas em saco plástico.

Para congelar a chicória ela deve ser cozida previamente. Antes de levar ao congelador, aperte bem as folhas para retirar o excesso de umidade.

Dicas de Preparo

As folhas de escarola soltam muita água durante o cozimento. Por isso, não é preciso acrescentar água para cozinhá-las. Depois de cozidas, as folhas devem ser espremidas, para retirar o excesso de líquido.

Ideias para Servir

Provavelmente a receita mais popular de escarola é a pizza coberta com a verdura refogada. No Brasil costuma-se acrescentar pedaços de queijo mussarela.

A escarola picada e refogada também é o recheio preferencial das esfihas de verdura, praticamente tão populares quanto a pizza.

Crua e picada, a escarola é servida em saladas, misturada ou não com outras verduras.

A escarola também pode ser o acompanhamento da refeição, refogada com alho ou cebola. Cubinhos de tomate podem ser acrescentados ao refogado. Se, além do tomate, o aliche entrar na receita, temos a típica escarola à italiana.

A escarola pode substituir o espinafre na maioria das receitas em que este entra como recheio, como tortas ou massas recheadas.

As folhas também são boas para o preparo de sopas.

Principais Nutrientes

Rica em fibras, a raiz da escarola tem uma substância chamada inulina, de efeito prebiótico, que estimula a produção de bactérias benéficas que vivem no trato intestinal.

É ótima fonte das vitaminas antioxidantes C e E, de vitaminas B e de minerais como o cálcio, o potássio, o fósforo, o ferro. É rica também em carotenóides.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Erva-Cidreira

Melissa officinalis é o nome clássico que vem do fato de ter flores amarelas que atraem abelhas (melissa, em grego), mas é conhecida ainda como erva-cidreira.

Também é conhecida como lemon balm, abreviação de bálsamo e variação do hebraico Bal-Smin, chefe dos óleos.


Princípios ativos

Suas folhas emitem um odor agradável, semelhante ao do limão, quando machucadas e elas contém, pelo menos, 0,05% de óleo volátil de evaporação média, composto por citronelol, geraniol, linalol (são álcoois), citral, neral (os três dão de 50 a 75% do óleo); e ainda ácido fenol carboxílico (4% do rosmarínico), ácido citronélico, acetato geranílico cariofileno e taninos.

O famoso óleo de melissa é obtido por destilação por vaporização de ervas colhidas no início da floração.

Uso medicinal

É considerada uma panacéia com propriedades rejuvenescedoras, tal a gama de suas ações. Paracelso a considerava "o elixir da vida". Parece ter efeito calmante e revitalizante sobre a mente.

É um calmante, antidepressivo, antialérgico (embora possa irritar peles sensíveis), digestivo, revigorante, carminativo, hipotensor, nervino, sudorífero, tônico geral, antiespasmódico, bálsamo cardíaco, antidisentérico, antivômitos.

Tem grande afinidade para o organismo feminino, onde, além de regular as menstruações, tranqüiliza e relaxa em casos de cólicas, tem efeito tônico no útero e, às vezes, pode ajudar em casos de esterilidade.

No único estudo experimental até agora realizado sobre possíveis efeitos sedativos, este óleo foi administrado de 3 a 100mg/kg e, embora alguns efeitos se conseguiram (Wagner e Sprinkmeyer, 1973) a ausência de respostas dependentes de dose sugere que os efeitos não foram específicos.

A Comissão Alemã, em 1984, citou a "insônia nervosa e problemas gastrintestinais funcionais" como curáveis com preparados de melissa.

May e Willuhn, em 1978, mostraram que as folhas tinham propriedades virostáticas potentes e Vogt et al., em 1991, fez um creme de folhas e aplicou em pacientes com herpes simplex e teve sucesso.

Externamente, lava feridas, combate mau hálito e revigora em banhos (Castro, 1985).


Dosagem indicada

Recomendam-se doses de 1,5 a 4,5 g da droga vegetal (no caso folhas) seca; infuso ou decocto a 3% e toma-se de 50 a 200 cm3/dia; extrato fluido de 1 a 6 cm3/dia; ou xarope de 50 a 200ml/dia.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Couve

A couve (Brassica) pertence à numerosíssima família das Crucíferas (umas 1.900 espécies), que compreende quase sem exceção todas as verduras. Contém numerosos óleos consistentes e enxofrados que estimulam o apetite e reforçam as secreções das glândulas, especialmente no tubo gastrintestinal.

As formas de cultivo mais comuns são a couve portuguesa, a couve galega, a couve lombarda, a couve crespa ou de Sabóia, a couve de Bruxelas, a couve-rábano, a couve-flor, o repolho, os brócolos, os nabos e as nabiças.

Composição e Propriedades

Até hoje, infelizmente, os químicos não nos podem dizer muita coisa a este respeito. Conhece-se, porém, o conteúdo das diferentes variedades de couves quanto às principais substâncias alimentares, conforme se vê no quadro que se segue.

O conteúdo mineral corresponde completamente ao das outras espécies de verdura. Além disso, todas as variedades de couve, assim como todos os legumes, possuem elevado conteúdo de bases.

Todas as variedades de couve mostram, de resto, um pequeno conteúdo de caroteno, primeiro escalão da vitamina A, assim como de vitaminas B i, B2, C e K.

Os elementos que entram na sua composição são muito escassos em calorias, mas, segundo a experiência mostra, satisfazem muito bem a sensação de apetite. Esta característica pode aproveitar-se no regime para obesos, preparando pratos pobres em calorias, isto é, sem gordura nem fécula.

As variedades de couves com paredes celulares delgadas, como a couve-flor, a couve-nabiça, podem, por outro lado, preparar-se com a ajuda de nata, ovos e gordura para a alimentação de enfermos desnutridos ou de alimentação difícil.

Também, como nas demais verduras de folhas, as variedades de couves constituem um alimento sumamente apropriado para os diabéticos, porque suportam muitíssimo bem o seu conteúdo em hidrocarbonatos, talvez por facilitarem o aproveitamento das matérias auxiliares, que atuam de forma análoga à insulina.

Para o homem são, a couve tem sido desde a Idade Antiga um alimento sempre importante e variado, como hoje.

Nunca se insistirá demasiado em que os legumes, as verduras, os cereais, as frutas e os produtos lácteos, numa preparação simples e natural, oram sempre a base (la alimentação sã, continuando ainda agora a sê-lo.

Com respeito à composição química da couve e das suas variedades, indica-se com frequencia que são pobres em proteínas e matérias nutritivas, que cheiram mal, que são de difícil digestão e de pouco proveito, que têm poucas calorias, que carregam os intestinos, que produzem flatulências, etc.

Estas propriedades negativas, freqüentemente atribuídas às hortaliças, e em especial à couve e suas variedades, só se justificam quando as verduras se desnaturalizam e se desvalorizam totalmente na cozinha «seleta», cozendo-as, suavizando-as com bicarbonato de sódio, branqueando-as, salgando-as e recobrindo-as de farinha ou de extratos de carne ou de gorduras salgadas.

Na forma mais simples, consumidas em parte como alimento cru, em parte impregnadas com pouca gordura, as nossas variedades de couve tomadas em quantidades moderadas constituem um importante alimento preventivo para jovens e velhos.

Emprego do Suco de Couve nas úlceras do Estômago

O suco de couve pode ostentar já um significado médico. O médico americano Dr. Carnett Cheney (Universidade de Stanford) tem publicado, desde 1940, uma série de trabalhos científicos sobre o tratamento das úlceras do estômago e do duodeno com suco de couve.

Obtinha o suco centrifugando couve crua e fazia os doentes tomarem quatro ou cinco vezes diariamente, de 200 a 250 cm3 de suco cru. Informou que mediante este tratamento ao cabo de cinco dias, no máximo, conseguia fazer cessar as dores, curando-se as úlceras, nuns catorze dias. O Dr. Cheney vê a causa deste efeito principalmente na presença de algum elemento ainda desconhecido e a que chama vitamina U. Esta substância, de existência ainda insegura, está contida na gordura da couve, encontrando-se também provavelmente na salsa, na alface, no aipo, nos ovos e no leite cru. A couve refogada ou murcha perde esta vitamina.

Os médicos suíços Strehler e Hunziker praticaram o tratamento de úlceras com suco de couve.

Fizeram os doentes tomarem, além de um litro diário do dito suco, com uma ligeira alimentação básica, um litro de purê de banana com um pouco de nata e ovos. Com este regime não conseguiram acelerar o processo de cura por efeito da vitamina U (fator antiulceroso) nos doentes de gastrite e úlcera do estômago. Nos enfermos de úlcera do duodeno e de colite ulcerosa puderam, em contrapartida, comprovar uma redução do tempo de cura. Esta, nos doentes de úlcera do duodeno, precisou, em média, de três semanas e, num dos casos, apenas de sete dias. Os êxitos dos mencionados médicos na inflamação do duodeno, sempre de difícil cura, resultaram sobremaneira decisivos e deverão servir de base para posteriores investigações.

Outras Indicações Terapêuticas

Na alimentação dos doentes, como se disse atrás, cumpre ter em conta as características dietéticas das diversas variedades da couve.

Assim, aos doentes do estômago e do intestino devem dar-se naturalmente só as espécies mais finas, tais como couve-nabiça e couve-flor, ao passo que aos doentes de atonia intestinal ou com prisão de ventre crônica se devem dar as espécies mais fortes, excitantes das paredes intestinais, como couve galega e couve de Bruxelas, com as quais se sentirão aliviados, desde que não se apresente uma excepcional proliferação bacteriana intestinal; neste caso, seria mais oportuno um produto ácido do repolho, cru ou cozido ou em suco, e chegaríamos assim a um derivado da couve que não só é são como também possui um evidente valor médico, a couve fermentada (Chucrute).

Não só na Alemanha, como também em muitos outros países se aprecia muito como alimento o repolho fermentado ou chucrute.

Mas não se passou por alto o seu valor medicinal. De acordo com os nossos atuais conhecimentos, a couve fermentada consegue atuar como meio de cura e de correção de uma série de doenças. A prevenção das avitaminoses assim como a sua cura é devida ao elevado conteúdo deste alimento em minerais e vitaminas, e especialmente a C .

Evacua os sucos e gases pútridos, atua como remédio na úlcera do estômago, reforça os nervos e colabora em grau considerável para a formação de sangue; deste modo, muitas pessoas que comem o chucrute vêem transformar-se a palidez do rosto num belo colorido que é sinal de saúde.

O princípio curativo da couve fermentada é devido provavelmente ao elevado conteúdo em ácido láctico natural, de cujo favorável efeito em doenças muito difundidas, como arteriosclerose, reumatismo, gota e males hepáticos, muito haveria que dizer.

E temos de citar ainda outra coisa. A couve fermentada já demonstrou o seu valor como alimento para diabéticos; consumida em grande quantidade tem influído muitas vezes favoravelmente no quadro clínico.

O suco de couve crua é especialmente eficaz como remédio contra as lombrigas, nomeadamente nas parasitoses intestinais infantis. Não só é barato como também, e ao contrário dos específicos vermífugos freqüentemente tóxicos, é absolutamente inofensivo.

Se se deseja conservar o valor medicinal da couve fermentada, devido ao seu conteúdo em vitaminas, minerais, ácido láctico e colina, o consumo deverá ser a cru. Podemos prepará-la de diferentes modos. Corta-se ou pica-se, depois de espremido o suco, para que este não encharque a tábua de picar e se perca. Uma vez fragmentadas as folhas, volta-se a acrescentar-lhes o suco. Mistura-se depois cebola e finalmente alho e azeite. Se não se tinha já deitado temperos, juntam-se agora. Douram-se em azeite cebolas finalmente cortadas e deitam-se sobre a couve. Querendo comer morna, levar ao forno, mas não deve chegar a aquecer.

Também se acrescentam maçãs raladas e mistura-se tudo isto com alguma nata batida. Finalmente, também se pode preparar a couve fermentada com beterraba, um pouco de cenoura, nata ou azeite.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Confrei

Planta herbácea perene que se apresenta como uma pequena touceira, originária do Centro e Norte da Europa e da Ásia, da família Boraginaceae, de clima temperado e frio, perfeitamente aclimatada na região Centro-Sul do Brasil (PANIZZA, 1997).

É conhecido popularmente por consolda, consolida, confrei-russo, leite-vegetal, capim-roxo-da-rússia, orelhas-de-asno, erva-do-cardeal, língua-de-vaca e erva-encanadeira-de-osso (PANIZZA, 1997; MARTINS, et al. 1994).

Suas folhas são de formato entre lanceolado e oval, ásperas, com nervuras bem visíveis, sendo grandes na base da planta e menores um pouco na parte superior, chegando a quase meio metro de altura (PANIZZA, 1997; MATOS, 1998). Pelo seu alto teor de proteínas (28 a 30%), o confrei também é utilizado como planta forrageira (SARTÓRIO et al., 2000).

Contém mucilagens, alantoína, alcalóides pirrolizidínicos, taninos, mucilagens, colina, sais minerais, vitaminas e ácido fólico (SARTÓRIO et al., 2000). A alantoína, é a substância responsável por propriedades cicatrizante, hidratante e de regeneração celular (SARTÓRIO et al., 2000).

É uma planta rústica e de fácil cultivo, resiste à seca e às geadas. Precisa de bom teor de umidade e local ensolarado para ter boa produção, mas não resiste ao encharcamento.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Coentro

Planta anual, herbácea, com caule cilíndrico, estriado e pouco ramificado, que pode atingir de 0,70 a 1,00m de comprimento. As folhas são de coloração verde-brilhante e apresentam-se em duas formas: as inferiores pinadas e as superiores bipinadas. Exalam um aroma forte e fétido quando esmagadas, lembrando o cheiro exalado por percevejos.

Características da flor

As flores, pequenas e de coloração branca ou róseo-violácea, estão dispostas numa inflorescência do tipo umbela. O florescimento ocorre entre a primaverae o verão.

É importante lembrar que antes da decisão de investir no cultivo de plantas medicinais e aromáticas, principalmente para quem não tem experiência com estas culturas, é obter mais informações sobre o assunto, para conhecer todas as etapas e técnicas envolvidas na produção.

É aconselhável procurar orientação de instituições de pesquisa ou profissional capacitado, para se informar quais plantas são mais indicadas para serem cultivadas na propriedade, em função da localização e tipo de solo da mesma, entre outros fatores. Deve-se ainda, realizar pesquisa de mercado procurando descobrir quais são os compradores mais próximos, qual a possibilidade de negociar a produção, entre outros pontos importantes.

Traremos apenas informações gerais e sobre o cultivo desta planta, visando sua exploração comercial, fornecendo ainda alguns endereços para mais informações.

De modo geral, para qualquer planta de uso aromático e medicinal, para se iniciar uma cultura seja a nível comercial ou mantê-la na horta doméstica, as sementes e mudas devem ser adquiridas de produtores ou de viveiros de mudas idôneos, que garantam a identificação botânica correta.

Alguns aspectos referentes a colheita e pós-colheita devem ser conhecidos, como por exemplo:

Determinação do momento ideal da colheita, que varia de acordo com o órgão da planta, estádio de desenvolvimento, época do ano e hora do dia;

Conhecimento de qual parte da planta contém o princípio ativo de interesse;

A colheita de sementes é realizada quando elas estão completamente amadurecidas ou no caso de serem deiscentes (que caem após o amadurecimento), antecipa-se a colheita para evitar as perdas;

A colheita deve ser realizada em períodos sem ocorrência de chuvas, preferencialmente no período da manhã, após o orvalho ter evaporado;

As ferramentas utilizadas variam de acordo com as partes que serão colhidas. Normalmente são utilizadas ferramentas simples: tesouras de poda (caule e folhas) e pás, enxadas e enxadões (raízes e partes subterrâneas);

O material cortado é acondicionado em recipientes adequados à parte colhida ( sementes, flores, outros);

O material coletado tem destinos variados: uso direto do material fresco, extração de substâncias ativas ou aromáticas do material fresco e secagem para comercialização "in natura".

Embora não tenhamos como objetivo indicar o uso medicinal desta ou de qualquer outra planta, destacamos algumas recomendações contidas no livro Plantas e Saúde - Guia Introdutório à Fitoterapia:

Utilize somente plantas medicinais conhecidas;

Procure conhecer a parte da planta que serve como remédio (raiz, caule, folha ou flor);

Não colete plantas medicinais nas margens de rios ou córregos poluídos e esgotos, bem como na beira de estradas, devido as substâncias tóxicas liberadas pelo escapamento dos veículos;

Procure conhecer as plantas que são tóxicas;

Tenha cuidado ao comprar ervas medicinais, observando sempre o seu estado de conservação (se não tem mofo, insetos, etc);

Procure conhecer o modo de preparo das plantas utilizadas como remédio (infusão, cozimento, etc);

Estar atento a indicação de uso da planta, se é para uso interno (beber) ou externo (compressa, cataplasma, etc);

Não substitua imediatamente o remédio dado pelo seu médico por plantas indicadas por amigos. Procure antes conversar com seu médico.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Chicória

Considerações gerais

A chicória, botanicamente Cichorium indívia, L., pertencente às famílias das Compostas, é encontrada sob duas formas ou tipos: lisa, também conhecida por escarola e crespa. As chicórias do primeiro grupo são as mais apreciadas e entre elas destacam-se a “Lisa Imperial”, “Lisa da Batavia” e “Branca de coração cheio”.

Como principais representantes do segundo grupo encontramos a “Crespa de Ruffec” e a “Crespa de Meaux”. Ambos os tipos são consumidos sob a forma de saladas ou cozidos.

Plantio e adubação

A adubação mais aconselhável para os terrenos de cultivo desta cultura só pode ser recomendada após o exame da fertilidade do solo, contudo, quando a plantação for executada em solos de média fertilidade a seguinte adubação poderá satisfazer plenamente as exigências da cultura:

Esterco de curral bem curtido: 8 kg/m2
Adubo químico 10-10-10: 100g/m2

O espaçamento mais recomendado é de 30 x 30 cm.

A época de plantio mais aconselhável está condicionada à variedade que se vai cultivar, embora o cultivo possa ser executado o ano todo.

A chicória Lisa Imperial e a Crespa de Meaux produzem melhor de agosto a janeiro, nas condições do planalto paulista e a Crespa de Ruffec prefere os meses de março a junho.

A semeadura desta hortaliça é realizada da seguinte maneira: primeiramente, nos canteiros de semeação, procede-se a semeadura utilizando-se 4g/m2 de sementes.

Após ter transcorrido quatro a cinco semanas as plantinhas terão 4 a 6 folhas, momento do transplante para o local definitivo.

Tratos culturais

Rega-se abundantemente.

Para se conseguir chicórias de melhor apresentação, mais claras e tenras, recorre-se ao estiolamento, procedendo da seguinte forma: amarra-se um cordão ou material similar de modo a proteger o “coração” da planta dos raios solares e mantendo-se neste estado por uns 15 dias. As regas não deverão atingir o “coração” da planta.

Outros tratos culturais importantes são as irrigações freqüentes e em bom número de escarificações, mantendo o solo fofo, a fim de possibilitar à planta melhores condições de desenvolvimento.

Colheita

A colheita será realizada de 80 a 90 dias após a semeadura, com rendimento aproximado de 25 a 30 toneladas por hectare.

domingo, 1 de julho de 2012

Camomila

Originária da Europa e Norte da Ásia, a camomila, Matricaria recutita L. (ASTERACEAE) é uma das espécies integrantes do projeto "Produção, processamento e comercialização de ervas medicinais, condimentares e aromáticas", coordenado pela Embrapa Transferência de Tecnologia - Escritório de Negócios de Campinas (SP), a qual está sendo cultivada e multiplicada nas unidades demonstrativas da Embrapa Pantanal (Corumbá, MS), Embrapa Semi-Árido (Petrolina, PE) e nos Escritórios de Negócios de Dourados (MS), Canoinhas (SC) e Petrolina (PE). Esse projeto contempla também o treinamento de técnicos e a qualificação de pequenos agricultores e seus familiares na produção e manipulação de ervas, fundamentadas em boas práticas agrícolas.

DESCRIÇÃO BOTÂNICA

Planta anual, com cerca de 20 a 50 cm de altura, caule ereto muito ramificado, desprovido de pêlos; folhas verdes, lisas na parte superior, recortadas em segmentos estreitos e pontiagudos; flores organizadas em inflorescências (flores sem pedúnculos), brancas, e amarelas no centro, sobre receptáculo cônico e oco, flores centrais hermafroditas; frutos do tipo simples, secos, com uma única semente, cilíndricos, arqueados, pequenos e truncados no ápice.

COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Óleos essenciais contendo camazuleno, bisabolol, colina, flavonóide, cumarina e sais minerais.

FORMA DE PROPAGAÇÃO

Sementes

CULTIVO

Reproduz bem em clima temperado com elevada umidade relativa do ar. Não tolera excesso de calor. Resistente às geadas no período vegetativo. Prefere solos férteis, estruturados e permeáveis com pH entre 6 e 7,5, ricos em matéria orgânica. Recomenda-se uma adubação com esterco de gado bem curtido, composto orgânico ou esterco de aves, quando necessário.

COLHEITA E BENEFICIAMENTO

As flores devem ser colhidas quando estiverem totalmente abertas e submetidas a uma boa secagem. Recomenda-se efetuar a colheita manual e diariamente, visando selecionar melhor o material vegetal.

REQUISITOS BÁSICOS PARA UMA PRODUÇÃO DE SUCESSO

Utilizar sementes e material propagativo de boa qualidade e de origem conhecida: com identidade botânica (nome científico) e bom estado fitossanitário

O plantio deve ser realizado em solos livres de contaminações (metais pesados, resíduos químicos e coliformes)

Focar a produção em plantas adaptadas ao clima e solo da região

É importante dimensionar a área de produção segundo a mão-de-obra disponível, uma vez que a atividade requer um trabalho intenso

O cultivo deve ser preferencialmente orgânico: sem aplicação de agrotóxicos, com rotação de culturas, diversificação de espécies, adubação orgânica e verde, controle natural de pragas e doenças

A água de irrigação deve ser limpa e de boa qualidade

A qualidade do produto é dependente dos teores das substâncias de interesse, sendo fundamentais os cuidados no manejo e colheita das plantas, assim como no beneficiamento e armazenamento da matéria prima

Além dos equipamentos de cultivo usuais, é neces sár ia uma unidade de secagem e armazenamento adequada para o tipo de produção

O mercado é bastante específico, sendo importante a integração entre produtor e comprador, evitando um número excessivo de intermediários, além da comercialização conjunta de vários agricultores, por meio de cooperativas ou grupos.

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